sexta-feira, 30 de junho de 2017

Paulo: apóstolo dos gentios - 01 (Gálatas)


Paulo: apóstolo dos gentios - 01

Ouvindo isso, não apresentaram mais objeções e louvaram a Deus, dizendo: ‘Então, Deus concedeu arrependimento para a vida até mesmo aos gentios!’” (At 11:18, NVI).

Leituras da semana: At 6:9-15; 9:1-9; 1Sm 16:7; Mt 7:1; At 11:19-21; 15:1-5

Não é tão difícil entender Saulo de Tarso (também conhecido como apóstolo Paulo, após sua conversão), e por que ele fez o que fez. Sendo judeu devoto, ensinado durante toda a sua vida sobre a importância da lei e sobre a futura redenção política de Israel, a ideia de que o tão aguardado Messias tinha sido vergonhosamente executado, como o pior dos criminosos, era demais para ele tolerar.

Portanto, não é de admirar que ele estivesse convencido de que os seguidores de Jesus estavam sendo desleais para com a Torá e, assim, prejudicando o plano de Deus para Israel. Suas alegações de que o Jesus crucificado era o Messias e de que Ele tinha ressuscitado, acreditava ele, eram terrível apostasia. Não poderia haver tolerância para com esse “absurdo” nem para quem se recusasse a abandonar essas ideias. Saulo estava determinado a ser o agente de Deus para livrar Israel dessas crenças. Assim, ele aparece pela primeira vez nas páginas das Escrituras como perseguidor violento dos seus compatriotas judeus que acreditavam que Jesus fosse o Messias.

Porém, Deus tinha planos bem diferentes para Saulo, planos que ele nunca poderia ter esperado: esse judeu não apenas pregaria que Jesus é o Messias, mas faria isso entre os gentios!

Domingo,                                        Perseguidor dos cristãos

Saulo de Tarso aparece pela primeira vez em Atos como um dos envolvidos no apedrejamento de Estêvão (E, expulsando-o da cidade, o apedrejavam. E as testemunhas depuseram as suas capas aos pés de um jovem chamado Saulo. At 7:58) e, em seguida, em conexão com a ampla perseguição que irrompeu em Jerusalém (At 8:1-5).

E também Saulo consentiu na morte dele. E fez-se naquele dia uma grande perseguição contra a igreja que estava em Jerusalém; e todos foram dispersos pelas terras da Judéia e de Samaria, exceto os apóstolos. E uns homens piedosos foram enterrar Estêvão, e fizeram sobre ele grande pranto. E Saulo assolava a igreja, entrando pelas casas; e, arrastando homens e mulheres, os encerrava na prisão. Mas os que andavam dispersos iam por toda a parte, anunciando a palavra. E, descendo Filipe à cidade de Samaria lhes pregava a Cristo. Atos 8:1-5

Pedro, Estevão, Filipe e Paulo desempenharam papel significativo no livro de Atos, pois estiveram envolvidos nos episódios que levaram à propagação da fé cristã para além do mundo judaico. Estevão é especialmente importante porque sua pregação e martírio parecem ter exercido influência profunda sobre Saulo de Tarso.

Escolhei, pois, irmãos, dentre vós, sete homens de boa reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria, aos quais constituamos sobre este importante negócio. Mas nós perseveraremos na oração e no ministério da palavra. E este parecer contentou a toda a multidão, e elegeram Estêvão, homem cheio de fé e do Espírito Santo, e Filipe, e Prócoro, e Nicanor, e Timão, e Parmenas e Nicolau, prosélito de Antioquia; E os apresentaram ante os apóstolos, e estes, orando, lhes impuseram as mãos. Atos 6:3-6

Estevão, um judeu que falava o idioma grego, era um dos sete diáconos (At 6:3-6). De acordo com Atos, alguns judeus estrangeiros que foram morar em Jerusalém (E levantaram-se alguns que eram da sinagoga chamada dos libertinos, e dos cireneus e dos alexandrinos, e dos que eram da Cilícia e da Asia, e disputavam com Estêvão. At 6:9) entraram em discussão com Estevão acerca do conteúdo de sua pregação sobre Jesus. É possível, talvez até provável, que Saulo de Tarso estivesse envolvido nesses debates.

1.. Leia Atos 6:9-15. Quais foram as acusações apresentadas contra Estevão?

E levantaram-se alguns que eram da sinagoga chamada dos libertinos, e dos cireneus e dos alexandrinos, e dos que eram da Cilícia e da Asia, e disputavam com Estêvão. E não podiam resistir à sabedoria, e ao Espírito com que falava. Então subornaram uns homens, para que dissessem: Ouvimos-lhe proferir palavras blasfemas contra Moisés e contra Deus. E excitaram o povo, os anciãos e os escribas; e, investindo contra ele, o arrebataram e o levaram ao conselho. E apresentaram falsas testemunhas, que diziam: Este homem não cessa de proferir palavras blasfemas contra este santo lugar e a lei; Porque nós lhe ouvimos dizer que esse Jesus Nazareno há de destruir este lugar e mudar os costumes que Moisés nos deu. Então todos os que estavam assentados no conselho, fixando os olhos nele, viram o seu rosto como o rosto de  um anjo. Atos 6:9-15

A hostilidade feroz para com a pregação de Estevão parece ter resultado de duas coisas diferentes. Por um lado, Estevão atraiu a ira de seus adversários por não dar importância primária à lei judaica e ao templo, que haviam se tornado o foco do judaísmo e eram símbolos preciosos da identidade religiosa e nacional. Mas Estevão fez mais do que simplesmente menosprezar esses dois valiosos ícones; ele proclamou vigorosamente que Jesus, o Messias crucificado e ressurreto, era o verdadeiro centro da fé judaica.

Porque a circuncisão somos nós, que servimos a Deus em espírito, e nos gloriamos em Jesus Cristo, e não confiamos na carne. Ainda que também podia confiar na carne; se algum outro cuida que pode confiar na carne, ainda mais eu: Circuncidado ao oitavo dia, da linhagem de Israel, da tribo de Benjamim, hebreu de hebreus; segundo a lei, fui fariseu; Segundo o zelo, perseguidor da igreja, segundo a justiça que há na lei, irrepreensível. Filipenses 3:3-6

Portanto, não é de admirar que ele tivesse irritado o fariseu Saulo (Fp 3:3-6), cujo zelo contra os cristãos primitivos indica que ele provavelmente pertencesse a uma ala rigorosa e militante dos fariseus, cheia de fervor revolucionário. Saulo entendia que as grandes promessas proféticas do reino de Deus ainda não tinham se cumprido (Dn 2; Zc 8:23; Is 40–55).

Assim diz o Senhor dos Exércitos: Naquele dia sucederá que pegarão dez homens, de todas as línguas das nações, pegarão, sim, na orla das vestes de um judeu, dizendo: Iremos convosco, porque temos ouvido que Deus está convosco. Zc 8:23

Ele provavelmente acreditava que era sua tarefa ajudar Deus a tornar aquele dia uma realidade, o que se poderia fazer purificando Israel da corrupção religiosa e da ideia de que esse Jesus era o Messias.

Convencido de que estava certo, Saulo estava disposto a matar os que considerava errados. Embora precisemos ter zelo e fervor pelo que cremos, como temperar nosso zelo com a compreensão de que, às vezes, podemos estar equivocados?

Segunda-feira,                                         A conversão de Saulo

Ele disse: Quem és, Senhor? E disse o Senhor: Eu Sou Jesus, a quem tu persegues. Duro é para ti recalcitrar contra os aguilhões” (At 9:5, ARC).

Embora a perseguição de Saulo contra a igreja primitiva tivesse começado de maneira bastante discreta (no momento em que ele segurou as vestes dos assassinos de Estevão), ela rapidamente se intensificou (veja At 8:1-3; 9:1, 2, 13, 14, 21; 22:3-5).

E também Saulo consentiu na morte dele. E fez-se naquele dia uma grande perseguição contra a igreja que estava em Jerusalém; e todos foram dispersos pelas terras da Judéia e de Samaria, exceto os apóstolos. E uns homens piedosos foram enterrar Estêvão, e fizeram sobre ele grande pranto. E Saulo assolava (devastava) a igreja, entrando pelas casas; e, arrastando homens e mulheres, os encerrava na prisão. Atos 8:1-3

E Saulo, respirando ainda ameaças e mortes contra os discípulos do Senhor, dirigiu-se ao sumo sacerdote. E pediu-lhe cartas para Damasco, para as sinagogas, a fim de que, se encontrasse alguns deste Caminho, quer homens quer mulheres, os conduzisse presos a Jerusalém. Atos 9:1,2

E respondeu Ananias: Senhor, a muitos ouvi acerca deste homem, quantos males tem feito aos teus santos em Jerusalém; E aqui tem poder dos principais dos sacerdotes para prender a todos os que invocam o teu nome. Atos 9:13,14

E todos os que o ouviam estavam atônitos, e diziam: Não é este o que em Jerusalém perseguia os que invocavam este nome, e para isso veio aqui, para os levar presos aos principais dos sacerdotes? Atos 9:21

Quanto a mim, sou judeu, nascido em Tarso da Cilícia, e nesta cidade criado aos pés de Gamaliel, instruído conforme a verdade da lei de nossos pais, zelador de Deus, como todos vós hoje sois. E persegui este caminho até à morte, prendendo, e pondo em prisões, tanto homens como mulheres, Como também o sumo sacerdote me é testemunha, e todo o conselho dos anciãos. E, recebendo destes cartas para os irmãos, fui a Damasco, para trazer maniatados para Jerusalém aqueles que ali estivessem, a fim de que fossem castigados. Atos 22:3-5

Várias palavras que Lucas usou para descrever Saulo revelam a figura de uma criatura selvagem, feroz, ou de um soldado saqueador, determinado a destruir seu oponente. A palavra traduzida por “devastava” em Atos 8:3 (NVI), por exemplo, é usada na tradução grega do Antigo Testamento (O javali da selva a devasta, e as feras do campo a devoram.  Sl 80:13) para descrever o comportamento descontrolado e destrutivo de um javali selvagem. A cruzada de Saulo contra os cristãos evidentemente não era um assunto de conveniência tratado com indiferença; era um plano determinado e sustentado para exterminar a fé cristã.

2. Examine as três descrições da conversão de Saulo (At 9:1-18; 22:6-21 e 26:2-19). Qual papel a graça de Deus teve nessa experiência? Saulo mereceu a bondade que o Senhor mostrou para com ele?

E Saulo, respirando ainda ameaças e mortes contra os discípulos do Senhor, dirigiu-se ao sumo sacerdote. E pediu-lhe cartas para Damasco, para as sinagogas, a fim de que, se encontrasse alguns deste Caminho, quer homens quer mulheres, os conduzisse presos a Jerusalém. E, indo no caminho, aconteceu que, chegando perto de Damasco, subitamente o cercou um resplendor de luz do céu. E, caindo em terra, ouviu uma voz que lhe dizia: Saulo, Saulo, por que me persegues? E ele disse: Quem és, Senhor? E disse o Senhor: Eu sou Jesus, a quem tu persegues. Duro é para ti recalcitrar contra os aguilhões. E ele, tremendo e atônito, disse: Senhor, que queres que eu faça? E disse-lhe o Senhor: Levanta-te, e entra na cidade, e lá te será dito o que te convém fazer. E os homens, que iam com ele, pararam espantados, ouvindo a voz, mas não vendo ninguém.E Saulo levantou-se da terra, e, abrindo os olhos, não via a ninguém. E, guiando-o pela mão,  o conduziram a Damasco. E esteve três dias sem ver, e não comeu nem bebeu. E havia em Damasco um certo discípulo chamado Ananias; e disse-lhe o Senhor em visão: Ananias! E ele respondeu: Eis-me aqui, Senhor. E disse-lhe o Senhor: Levanta-te, e vai à rua chamada Direita, e pergunta em casa de Judas por um homem de Tarso chamado Saulo; pois eis que ele está orando; E numa visão ele viu que entrava um homem chamado Ananias, e punha sobre ele a mão, para que tornasse a ver. E respondeu Ananias: Senhor, a muitos ouvi acerca deste homem, quantos males tem feito aos teus santos em Jerusalém; E aqui tem poder dos principais dos sacerdotes para prender a todos os que invocam o teu nome. Disse-lhe, porém, o Senhor: Vai, porque este é para mim um vaso escolhido, para levar o meu nome diante dos gentios, e dos reis e dos filhos de Israel. E eu lhe mostrarei quanto deve padecer pelo meu nome. E Ananias foi, e entrou na casa e, impondo-lhe as mãos, disse: Irmão Saulo, o Senhor Jesus, que te apareceu no caminho por onde vinhas, me enviou, para que tornes a ver e sejas cheio do Espírito Santo. E logo lhe caíram dos olhos como que umas escamas, e recuperou a vista; e, levantando-se, foi batizado. Atos 9:1-18

Ora, aconteceu que, indo eu já de caminho, e chegando perto de Damasco, quase ao meio-dia, de repente me rodeou uma grande luz do céu. E caí por terra, e ouvi uma voz que me dizia: Saulo, Saulo, por que me persegues? E eu respondi: Quem és, Senhor? E disse-me: Eu sou Jesus Nazareno, a quem tu persegues. E os que estavam comigo viram, em verdade, a luz, e se atemorizaram muito, mas não ouviram a voz daquele que falava comigo. Então disse eu: Senhor, que farei? E o Senhor disse-me: Levanta-te, e vai a Damasco, e ali se te dirá tudo o que te é ordenado fazer. E, como eu não via, por causa do esplendor daquela luz, fui levado pela mão dos que estavam comigo, e cheguei a Damasco. E um certo Ananias, homem piedoso conforme a lei, que tinha bom testemunho de todos os judeus que ali moravam, Vindo ter comigo, e apresentando-se, disse-me: Saulo, irmão, recobra a vista. E naquela mesma hora o vi. E ele disse: O Deus de nossos pais de antemão te designou para que conheças a sua vontade, e vejas aquele Justo e ouças a voz da sua boca. Porque hás de ser sua testemunha para com todos os homens do que tens visto e ouvido. E agora por que te deténs? Levanta-te, e batiza-te, e lava os teus pecados, invocando o nome do Senhor. E aconteceu que, tornando eu para Jerusalém, quando orava no templo, fui arrebatado para fora de mim. E vi aquele que me dizia: Dá-te pressa e sai apressadamente de Jerusalém; porque não receberão o teu testemunho acerca de mim. E eu disse: Senhor, eles bem sabem que eu lançava na prisão e açoitava nas sinagogas os que criam em ti. E quando o sangue de Estêvão, tua testemunha, se derramava, também eu estava presente, e consentia na sua morte, e guardava as capas dos que o matavam. E disse-me: Vai, porque hei de enviar-te aos gentios de longe. Atos 22:6-21

Tenho-me por feliz, ó rei Agripa, de que perante ti me haja hoje de defender de todas as coisas de que sou acusado pelos judeus; Mormente sabendo eu que tens conhecimento de todos os costumes e questões que há entre os judeus; por isso te rogo que me ouças com paciência. Quanto à minha vida, desde a mocidade, como decorreu desde o princípio entre os da minha  ação, em Jerusalém, todos os judeus a conhecem, Sabendo de mim desde o princípio (se o quiserem testificar), que, conforme a mais severa seita da nossa religião, vivi fariseu. E agora pela esperança da promessa que por Deus foi feita a nossos pais estou aqui e sou julgado. À qual as nossas doze tribos esperam chegar, servindo a Deus continuamente, noite e dia. Por esta esperança, ó rei Agripa, eu sou acusado pelos judeus. Pois quê? julga-se coisa incrível entre vós que Deus ressuscite os mortos? Bem tinha eu imaginado que contra o nome de Jesus Nazareno devia eu praticar muitos atos; O que também fiz em Jerusalém. E, havendo recebido autorização dos principais dos sacerdotes, encerrei muitos dos santos nas prisões; e quando os matavam eu dava o meu voto contra eles. E, castigando-os muitas vezes por todas as sinagogas, os obriguei a blasfemar. E, enfurecido demasiadamente contra eles, até nas cidades estranhas os persegui. Sobre o que, indo então a Damasco, com poder e comissão dos principais dos sacerdotes, Ao meio-dia, ó rei, vi no caminho uma luz do céu, que excedia o esplendor do sol, cuja claridade me envolveu a mim e aos que iam comigo. E, caindo nós todos por terra, ouvi uma voz que me falava, e em língua hebraica dizia: Saulo, Saulo, por que me persegues? Dura coisa te é recalcitrar contra os aguilhões. E disse eu: Quem és, Senhor? E ele respondeu: Eu sou Jesus, a quem tu persegues; Mas levanta-te e põe-te sobre teus pés, porque te apareci por isto, para te pôr por ministro e testemunha tanto das coisas que tens visto como daquelas pelas quais te aparecerei ainda; Livrando-te deste povo, e dos gentios, a quem agora te envio,
Para lhes abrires os olhos, e das trevas os converteres à luz, e do poder de Satanás a Deus; a fim de que recebam a remissão de pecados, e herança entre os que são santificados pela fé em mim. Por isso, ó rei Agripa, não fui desobediente à visão celestial
.
Atos 26:2-19

Da perspectiva humana, a conversão de Saulo deve ter parecido impossível (essa foi a razão do ceticismo que muitos manifestaram quando ouviram falar dela pela primeira vez).

A única coisa que Saulo merecia era a punição, mas, em vez disso, Deus concedeu graça a esse judeu fervoroso. Contudo, é importante notar que a conversão de Saulo não aconteceu num vácuo, nem foi forçada.

Saulo não era ateu. Ele era religioso, embora seriamente equivocado em sua compreensão de Deus. As palavras de Jesus a Paulo, “resistir ao aguilhão só lhe trará dor!” (At 26:14, NVI), indicam que o Espírito estivera convencendo Saulo. No mundo antigo, o “aguilhão” era uma vara com uma ponta afiada utilizada para cutucar bois, sempre que se recusavam a puxar o arado. Saulo havia resistido ao aguilhão de Deus por algum tempo, mas finalmente, em sua viagem para Damasco, por meio de um encontro miraculoso com o Jesus ressuscitado, ele decidiu parar de lutar.

Sua conversão também foi uma experiência dramática, como a de Paulo? Se não, de que maneira a graça de Deus mudou sua vida? Por que é importante não esquecer o que recebemos em Cristo?

Terça-feira,                                              Saulo em Damasco

Durante seu encontro com Jesus, Saulo ficou cego e foi instruído a ir à casa de um homem chamado Judas. Ali ele deveria aguardar a visita de Ananias. Sem dúvida, a cegueira física de Saulo foi um poderoso lembrete da cegueira espiritual, mais ampla, que o havia levado a perseguir os seguidores de Jesus.

Quando Jesus Se manifestou a ele na estrada de Damasco, tudo mudou. Nas questões sobre as quais Saulo pensava que tinha toda a razão, ele estava completamente equivocado. Em vez de trabalhar para Deus, havia trabalhado contra Ele. Quando entrou em Damasco, Saulo era um homem diferente do orgulhoso e zeloso fariseu que havia saído de Jerusalém. Em vez de comer e beber, passou seus primeiros três dias em Damasco jejuando, orando e refletindo sobre tudo o que tinha acontecido.

Leia Atos 9:10-14. Imagine o que deve ter passado na mente de Ananias: Saulo, o perseguidor, não era apenas um seguidor de Jesus, mas também se tornou Paulo, o apóstolo escolhido por Deus para levar o evangelho aos gentios (At 26:16-18)!

Não é de admirar que Ananias estivesse um tanto confuso. Se a igreja em Jerusalém estava hesitante em aceitar Paulo cerca de três anos após sua conversão (At 9:26-30), podemos imaginar as dúvidas e preocupações que enchiam o coração dos fiéis em Damasco, somente alguns dias depois do evento!

E, quando Saulo chegou a Jerusalém, procurava ajuntar-se aos discípulos, mas todos o temiam, não crendo que fosse discípulo. Então Barnabé, tomando-o consigo, o trouxe aos apóstolos, e lhes contou como no caminho ele vira ao Senhor e lhe falara, e como em Damasco falara ousadamente no nome de Jesus. E andava com eles em Jerusalém, entrando e saindo, E falava ousadamente no nome do Senhor Jesus. Falava e disputava também contra os gregos, mas eles procuravam matá-lo. Sabendo-o, porém, os irmãos, o acompanharam até Cesaréia, e o enviaram a Tarso. Atos 9:26-30

Observe também que Ananias recebeu uma visão do Senhor, mostrando-lhe a notícia surpreendente e inesperada sobre Saulo de Tarso. Talvez nenhuma outra coisa que não fosse uma visão o tivesse convencido de que aquelas informações acerca de Saulo eram verdadeiras e de que o inimigo dos cristãos judeus havia se tornado um deles.

Saulo tinha saído de Jerusalém com poder e autorização dos principais sacerdotes para acabar com a fé cristã (At 26:12). No entanto, Deus tinha uma missão bastante diferente para Saulo, apoiada numa autoridade muito maior. Saulo devia levar o evangelho ao mundo gentílico, uma ideia que, para Ananias e os outros fiéis judeus, deve ter sido ainda mais chocante do que a própria conversão de Saulo.

Onde Saulo havia procurado impedir a propagação da fé cristã, Deus o usaria para disseminá-la muito além do que os cristãos judeus poderiam imaginar.

3. Leia 1 Samuel 16:7, Mateus 7:1 e 1 Coríntios 4:5. Por que devemos ter cuidado ao avaliar a experiência espiritual de outras pessoas? Que erros temos cometido em nosso julgamento sobre os outros? O que temos aprendido com esses erros?

Porém o Senhor disse a Samuel: Não atentes para a sua aparência, nem para a grandeza da sua estatura, porque o tenho rejeitado; porque o Senhor não vê como vê o homem, pois o homem vê o que está diante dos olhos, porém o Senhor olha para o coração. 1 Samuel 16:7

Não julgueis, para que não sejais julgados. Porque com o juízo com que julgardes sereis julgados, e com a medida com que tiverdes medido vos hão de medir a vós. Mateus 7:1,2

Portanto, nada julgueis antes de tempo, até que o Senhor venha, o qual também trará à luz as coisas ocultas das trevas, e manifestará os desígnios dos corações; e então cada um receberá de Deus o louvor. 1 Coríntios 4:5

Quarta-feira,                                           O evangelho vai aos gentios

4. Onde foi estabelecida a primeira igreja gentílica? Quais acontecimentos ocasionaram a ida dos cristãos para lá? Qual lembrança do Antigo Testamento essa história traz? At 11:19-21, 26; Dn 2

E os que foram dispersos pela perseguição que sucedeu por causa de Estêvão caminharam até à Fenícia, Chipre e Antioquia, não anunciando a ninguém a palavra, senão somente aos judeus. E havia entre eles alguns homens chíprios e cirenenses, os quais entrando em Antioquia falaram aos gregos, anunciando o Senhor Jesus. E a mão do Senhor era com eles; e grande número creu e se converteu ao Senhor. Atos 11:19-21

A perseguição que irrompeu em Jerusalém após a morte de Estêvão fez com que muitos cristãos judeus fugissem para Antioquia, a 501 quilômetros ao norte. Sendo capital da província romana da Síria, Antioquia era inferior em importância apenas a Roma e Alexandria. Sua população, estimada em 500 mil pessoas, era extremamente cosmopolita, o que a tornava um local ideal não só para uma igreja de gentios, mas como ponto de partida para a missão universal da igreja primitiva.

5. De acordo com Atos 11:20-26, o que aconteceu em Antioquia, que resultou na visita de Barnabé à cidade e sua decisão posterior de convidar Paulo para se juntar a ele ali? Que descrição é apresentada da igreja daquela comunidade?

E havia entre eles alguns homens chíprios e cirenenses, os quais entrando em Antioquia falaram aos gregos, anunciando o Senhor Jesus. E a mão do Senhor era com eles; e grande número creu e se converteu ao Senhor. E chegou a fama destas coisas aos ouvidos da igreja que estava em Jerusalém; e enviaram Barnabé a Antioquia. O qual, quando chegou, e viu a graça de Deus, se alegrou, e exortou a todos a que permanecessem no Senhor, com propósito de coração; Porque era homem de bem e cheio do Espírito Santo e de fé. E muita gente se uniu ao Senhor. E partiu Barnabé para Tarso, a buscar Saulo; e, achando-o, o conduziu para Antioquia. E sucedeu que todo um ano se reuniram naquela igreja, e ensinaram muita gente; e em Antioquia foram os discípulos, pela primeira vez, chamados cristãos. Atos 11:20-26

E sucedeu que todo um ano se reuniram naquela igreja, e ensinaram muita gente; e em Antioquia foram os discípulos, pela primeira vez, chamados cristãos. E naqueles dias desceram profetas de Jerusalém para Antioquia. E, levantando-se um deles, por nome Ágabo, dava a entender pelo Espírito, que haveria uma grande fome em todo o mundo, e isso aconteceu no tempo de Cláudio César. E os discípulos determinaram mandar, cada um conforme o que pudesse, socorro aos irmãos que habitavam na Judéia. O que eles com efeito fizeram, enviando-o aos anciãos por mão de Barnabé e de Saulo. Atos 11:26-30

Traçar uma cronologia da vida de Paulo é difícil, mas parece que cerca de cinco anos se passaram entre sua visita a Jerusalém depois da conversão (At 9:26-30) e o convite de Barnabé para que Paulo se juntasse a ele em Antioquia. O que Paulo fez em todos esses anos? É difícil dizer com certeza. Mas, com base em seus comentários em Gálatas 1:21, (Depois fui para as partes da Síria e da Cilícia. E não era conhecido de vista das igrejas da Judéia, que estavam em Cristo; Mas somente tinham ouvido dizer: Aquele que já nos perseguiu anuncia agora a fé que antes destruía. E glorificavam a Deus a respeito de mim. Gálatas 1:21-24) possivelmente ele tivesse pregado o evangelho nas regiões da Síria e da Cilícia. Alguns têm sugerido que, talvez, durante essa época ele tivesse sido deserdado por sua família (E, na verdade, tenho também por perda todas as coisas, pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; pelo qual sofri a perda de todas estas coisas, e as considero como escória, para que possa ganhar a Cristo, Fp 3:8) e sofrido uma série de dificuldades, como ele descreve em 2 Coríntios 11:23-28.

São ministros de Cristo? (falo como fora de mim) eu ainda mais: em trabalhos, muito mais; em açoites, mais do que eles; em prisões, muito mais; em perigo de morte, muitas vezes. Recebi dos judeus cinco quarentenas de açoites menos um. Três vezes fui açoitado com varas, uma vez fui apedrejado, três vezes sofri naufrágio, uma noite e um dia passei no abismo; Em viagens muitas vezes, em perigos de rios, em perigos de salteadores, em perigos dos da minha nação, em perigos dos gentios, em perigos na cidade, em perigos no deserto, em perigos  no mar, em perigos entre os falsos irmãos; Em trabalhos e fadiga, em vigílias muitas vezes, em fome e sede, em jejum muitas vezes, em frio e nudez. Além das coisas exteriores, me oprime cada dia o cuidado de todas as igrejas. 2 Coríntios 11:23-28

E na igreja que estava em Antioquia havia alguns profetas e doutores, a saber: Barnabé e Simeão chamado Níger, e Lúcio, cireneu, e Manaém, que fora criado com Herodes o tetrarca, e Saulo. Atos 13:1

A igreja em Antioquia floresceu sob a orientação do Espírito Santo. A descrição em Atos 13:1 indica que a natureza cosmopolita da cidade logo foi refletida na diversidade étnica e cultural da própria igreja (Barnabé era de Chipre, Lúcio de Cirene, Paulo da Cilícia, Simeão presumivelmente da África; pense também em todos os gentios convertidos). O Espírito procurava levar o evangelho a outros gentios, usando Antioquia como base para mais atividades missionárias de longo alcance, além da Síria e da Judeia.

Leia Atos 11:19-26. O que aprendemos com a diversidade cultural e étnica da igreja de Antioquia? Isso pode ajudar nossa igreja a imitar o bem que existia ali?

Quinta-feira,                                  Conflitos dentro da igreja

Tudo que é humano é imperfeito, e não demorou muito para que começassem os problemas na primitiva comunidade de fé. Para começar, nem todos ficaram satisfeitos com a entrada dos gentios cristãos na igreja primitiva. A divergência não foi sobre o conceito de missão entre os gentios, mas sobre a base em que eles deveriam ser autorizados a se unirem à igreja. Alguns achavam que a fé em Jesus não seria suficiente como sinal característico do cristão; eles argumentavam que a fé devia ser complementada com a circuncisão e a obediência à lei de Moisés (em Atos 10:1–11:18, podemos ver a extensão da divisão entre judeus e gentios na experiência de Pedro com Cornélio).

As visitas oficiais de Jerusalém, que observaram a obra de Filipe entre os samaritanos (Os apóstolos, pois, que estavam em Jerusalém, ouvindo que Samaria recebera a palavra de Deus, enviaram para lá Pedro e João. At 8:14) e o trabalho com os gentios em Antioquia (E chegou a fama destas coisas aos ouvidos da igreja que estava em Jerusalém; e enviaram Barnabé a Antioquia. At 11:22) podem sugerir alguma preocupação acerca da inclusão dos não judeus na comunidade cristã. No entanto, a reação que ocorreu quando Pedro batizou Cornélio, um soldado romano incircunciso, foi um claro exemplo da discordância que existia entre os primeiros cristãos sobre a questão dos gentios. A inclusão de um gentio como Cornélio pode ter feito com que alguns se sentissem desconfortáveis, mas os esforços intencionais de Paulo para abrir totalmente as portas da igreja aos gentios com base na fé unicamente em Jesus resultou em tentativas deliberadas, por parte de alguns, de prejudicar o ministério de Paulo.

6. De acordo com Atos 15:1-5, como alguns fiéis da Judeia tentaram dificultar o trabalho de Paulo com os cristãos gentios em Antioquia?

Então alguns que tinham descido da Judéia ensinavam assim os irmãos: Se não vos circuncidardes conforme o uso de Moisés, não podeis salvar-vos. Tendo tido Paulo e Barnabé não pequena discussão e contenda contra eles, resolveu-se que Paulo e Barnabé, e alguns dentre eles, subissem a Jerusalém, aos apóstolos e aos anciãos, sobre aquela questão. E eles, sendo acompanhados pela igreja, passavam pela Fenícia e por Samaria, contando a conversão dos gentios; e davam grande alegria a todos os irmãos. E, quando chegaram a Jerusalém, foram recebidos pela igreja e pelos apóstolos e anciãos, e lhes anunciaram quão grandes coisas Deus tinha feito com eles. Alguns, porém, da seita dos fariseus, que tinham crido, se levantaram, dizendo que era mister circuncidá-los e mandar-lhes que guardassem a lei de Moisés. Atos 15:1-5

Embora o concílio de Jerusalém, em Atos 15, finalmente tivesse se unido a Paulo na questão da circuncisão, a oposição ao ministério do apóstolo continuou. Cerca de sete anos mais tarde, durante a última visita de Paulo a Jerusalém, muitos ainda desconfiavam do evangelho de Paulo. De fato, ao visitar o templo, ele quase perdeu a vida quando os judeus da Ásia clamaram: “Israelitas, socorro! Este é o homem que por toda parte ensina todos a serem contra o povo, contra a lei e contra este lugar” (At 21:28; 21:20, 21).

Clamando: Homens israelitas, acudi; este é o homem que por todas as partes ensina a todos contra o povo e contra a lei, e contra este lugar; e, demais disto, introduziu também no templo os gregos, e profanou este santo lugar. At 21:28

E, ouvindo-o eles, glorificaram ao Senhor, e disseram-lhe: Bem vês, irmão, quantos milhares de judeus há que crêem, e todos são zeladores da lei. E já acerca de ti foram informados de que ensinas todos os judeus que estão entre os gentios a apartarem-se de Moisés, dizendo que não devem circuncidar seus filhos, nem andar segundo o costume da lei. Atos 21:20,21

Coloque-se na posição desses fiéis judeus preocupados com o ensino de Paulo. Por que sua preo­cupação e oposição tinham algum sentido? Como nossas ideias preconcebidas, bem como as noções culturais e religiosas, podem nos desviar do caminho correto, apesar das nossas boas intenções? Como evitar esse tipo de erro?

Sexta-feira,                                              Estudo adicional

Sobre a relação entre conversão pessoal e a Igreja, leia de Ellen G. White, Testemunhos Para a Igreja, v. 3, p. 430-434: “Independência individual”; para uma proveitosa descrição do início da vida de Paulo e um comentário sobre sua conversão, leia o Comentário Bíblico Adventista, v. 6, p. 226-234.

Anteriormente, Paulo havia sido reconhecido como zeloso defensor da religião judaica e implacável perseguidor dos seguidores de Jesus. Corajoso, independente, perseverante, seus talentos e preparo o teriam capacitado a servir quase em qualquer atividade. Era capaz de arrazoar com clareza extraordinária, e por seu fulminante sarcasmo podia colocar o adversário em posição nada invejável. E agora, os judeus viam esse jovem extraordinariamente promissor unido com aqueles a quem antes havia perseguido, pregando destemidamente no nome de Jesus!

Um general que tomba em combate está perdido para seu exército, mas sua morte não acrescenta força ao inimigo. Mas quando um homem preeminente se une às forças opositoras, não apenas se perdem seus serviços como ganham decidida vantagem aqueles com quem ele se uniu. Saulo de Tarso, no caminho para Damasco, podia facilmente ter sido fulminado pelo Senhor, e muita força se teria retirado do poder perseguidor. Deus, porém, em Sua providência, não apenas poupou a vida de Saulo, mas o converteu, transferindo assim um campeão do campo do inimigo para o lado de Cristo. Orador eloquente e crítico severo, Paulo, com seu decidido propósito e inquebrantável coragem, tinha as qualificações necessárias à igreja primitiva” (Ellen G. White, Atos dos Apóstolos, p. 124).

Perguntas para reflexão

1. Que lição aprendemos do fato de que alguns dos mais duros opositores de Paulo eram judeus que acreditavam em Jesus?

2. Como você pode defender princípios religiosos e, ao mesmo tempo, ter certeza de que não está lutando contra Deus?

Resumo: O encontro de Saulo com o Cristo ressuscitado na estrada de Damasco foi o momento decisivo em sua vida e na história da igreja primitiva. Deus mudou o antigo perseguidor da igreja e fez dele Seu apóstolo escolhido para levar o evangelho ao mundo gentílico. Entretanto, alguns tiveram dificuldade de aceitar a iniciativa de Paulo em relação à inclusão dos gentios na igreja unicamente pela fé – um poderoso exemplo de como o preconceito e a discriminação podem dificultar a missão.

Paulo: apóstolo dos gentios - 01 (Resumo)

TEXTO-CHAVE: Atos 11:18

Saber: Quais acontecimentos desafiadores levaram à pregação do evangelho aos gentios.

Sentir: As tensões em torno da transformação de Paulo, de zeloso fariseu a dedicado pregador do evangelho aos gentios.

Fazer: Oferecer a Deus seus talentos e a vida a fim de ser habilitado para o serviço.

ESBOÇO

I. Saber: Ir a todo o mundo

A. Quais circunstâncias envolveram o desenvolvimento do ministério da recém-
formada igreja para os gentios?

B. Por que pregar o evangelho aos gentios foi uma prática tão revolucionária para os cristãos da igreja primitiva? Como eles reagiram a esse desafio?

II. Sentir: Desafios e tensões

A. Qual efeito as perseguições de Saulo tiveram sobre a igreja primitiva?

B. Quais foram as reações dos líderes da igreja primitiva ao chamado que transformou Paulo em pregador do evangelho?

C. Como aquela igreja iniciante resolveu as tensões que surgiram pela expansão da pregação do evangelho aos gentios?

III. Fazer: Aptos para o serviço

A. Quais transformações precisam ocorrer para que estejamos aptos para o ministério?

B. Como podemos nos adaptar às variadas formas de pregação do evangelho, como fez a igreja primitiva?

C. Quais desafios diferentes enfrentamos, sendo uma igreja mais experiente? De quais transformações necessitamos?

RESUMO: No início, a nova igreja enfrentou a oposição determinada do fanático Saulo de Tarso, mas a transformação desse homem, em resposta ao chamado de Deus, resultou no desenvolvimento de um forte ministério aos gentios.

Focalizando as Escrituras: Atos 11:18

Conceito-chave: Assim como Saulo de Tarso, podemos ter certeza do que acreditamos, mas estar absolutamente equivocados. Estar aberto à direção de Deus significa ser receptivo às surpresas, mesmo quando elas não são fáceis nem agradáveis.

Enfatize o fato de que tanto Saulo/Paulo quanto a igreja cristã primitiva necessitavam permitir que Deus lhes abrisse a mente. Paulo precisava perceber que aquilo que, em sua concepção, não poderia ser verdade era, de fato, a verdade. Os primeiros cristãos judeus, por sua vez, tinham que ser despertados para o fato de que o evangelho era para todos, mesmo os gentios.

Você quer se tornar realmente mau? Não apenas alguém “incompreendido” ou considerado um “diamante bruto”, mas uma das pessoas mais perversas do mundo? Então comece convencendo a si mesmo de que é bom. Tão bom que se considere melhor do que os outros. Imagine que não pode fazer nada de errado. Acredite que, se Deus está ao seu lado, quem se opõe a você se opõe a Deus.

Blaise Pascal, filósofo e matemático francês, escreveu: “Os homens nunca fazem o mal de maneira tão completa e alegre como quando o fazem a partir de uma convicção religiosa”. Poderia ser você. Poderia ser qualquer um de nós se, em nossa devoção equivocada, assumíssemos o lugar de Deus e parássemos de ouvir o verdadeiro Deus.

Nesta semana, estudaremos sobre alguém que estava seguindo esse caminho: Saulo de Tarso. Ele prosseguia em seu caminho para se tornar, como ele disse mais tarde, o principal dos pecadores (1Tm 1:15). Mas Deus tinha outros planos para ele.

Discussão inicial: É importante ter certeza, de maneira sensata, do que acreditamos e por que temos essa crença. Como podemos harmonizar essa exigência com a necessidade de humildade para perceber que nossas ideias e percepções são falíveis e poderemos precisar de mudança, à medida que aprofundamos nosso relacionamento com Deus e nosso entendimento de Sua Palavra?

Compreensão  - Nos evangelhos, conhecemos Jesus Cristo. Ficamos familiarizados com Sua personalidade, Sua natureza, Sua missão e Sua relação com as coisas que haviam ocorrido antes, as quais Ele veio cumprir. Em Atos, vemos como os primeiros discípulos prosseguiram na luz da missão e da mensagem de Jesus. Vemos antigas formas desafiadas, transformadas, e vidas renovadas. Em nenhum lugar esse processo é mais claro do que na vida e carreira de Saulo/Paulo. Enfatize como esse processo de provação e transformação se repete em nossa vida pessoal.

Comentário bíblico

I. Espectador culpado    (Recapitule At 7:58; 8:1-5.)

Há uma expressão em inglês que diz: “I’ll hold your coat for you” [Eu seguro seu casaco]. Como muitas outras expressões na língua inglesa, essa poderia ter vindo da Bíblia; nesse caso, de Atos 7:58. Ela pode ser usada em uma das duas seguintes maneiras: pode ser a aprovação de um ato de violência ou agressão, sem que a pessoa esteja muito disposta a praticá-lo por si mesma; ou pode ser um comentário mordaz dito a uma pessoa que apoia o derramamento de sangue, mas nunca assume realmente os riscos pessoais.

Como cristãos e estudantes da Bíblia, vemos Saulo de Tarso como um grande perseguidor. Mas pouco sabemos sobre ele ou suas atividades antes dos eventos descritos nesses versos. Ele tinha opiniões fortes sobre os cristãos primitivos, antes de assistir à pregação de Estêvão? Obviamente, a pregação de Estêvão foi suficiente para motivá-lo a algum tipo de ação, mas por quê? Ele se sentia atraído pela mensagem, ao mesmo tempo em que tinha aversão a ela? Ele sabia que ela era verdadeira, mesmo quando tentava forçar a si mesmo e a outros a acreditar que não era?

Considere as ações de Saulo. Ele não foi um participante ativo na morte de Estevão, a julgar pela passagem bíblica. Seja como for, o autor, possivelmente, não tivesse se dado ao trabalho de mencionar isso, exceto para apresentar Saulo como um personagem que depois se tornaria importante para a narrativa de Atos. Se tudo que Paulo houvesse feito tivesse sido agir como espectador inocente, teria sido difícil culpá-lo – muito menos lançar sobre ele a responsabilidade – de algum crime, com base nas informações dadas no texto. Talvez ele tivesse incitado os assassinos de Estêvão, mas isso não está registrado. Ao contrário da expressão mencionada antes, ele nem sequer segurou as vestes. Ele viu seus companheiros apedrejarem Estêvão. Dois versos depois, é mencionado que ele aprovava a morte de Estêvão. Mas podemos supor que isso provavelmente não tivesse sido ideia dele.

Isso significa que Paulo não era culpado da morte de Estêvão? Ele mesmo sentia que era, e carregou essa culpa pelo resto da vida. Temos boas razões para acreditar que o relato dos acontecimentos de Atos foram contados a Lucas (geralmente considerado o autor de Atos, bem como do evangelho que leva seu nome) pelo próprio Paulo, e que este tivesse insistido bastante para que Lucas mencionasse seu papel e seu consentimento. Vários versos à frente, em Atos 8:1-5, foi demonstrado que ele era o perseguidor sanguinário que todos conhecemos.

Por que Paulo não teve um papel mais ativo no apedrejamento de Estêvão? Ele era um manipulador nos bastidores ou estava esperando para ver o que fariam as autoridades que ele venerava e cujo exemplo seguia? Em todo caso, sua decisão de facilitar esse ato de violência coletiva, disfarçada de justiça teocrática, tornou-o culpado como se ele mesmo tivesse recolhido e jogado todas as pedras, embora, aparentemente, não tivesse praticado nenhuma ação. Somente a graça de Deus poderia desviá-lo do caminho que ele livremente havia escolhido para si.

Pense nisto: Você já tomou uma decisão errada, que teve repercussões muito além das circunstâncias imediatas, ao deixar de agir, ou agindo passivamente para facilitar uma injustiça ou irregularidade? Como você acertou a situação?

II. A conversão de Saulo   (Recapitule At 9:1-18; 22:6-21; 26:12-19; 1Co 9:1; 15:3; Gl 1:11, 12, 15, 16.)

Mencionar o evento relatado nas passagens acima como uma conversão é correto, mas não é de fato adequado. As palavras bíblicas que geralmente traduzimos como “conversão” (sub em hebraico e epistrophe em grego) se referem a uma virada ou um retorno a Deus ou ao caminho que conduz a Ele. Por isso, é um ato da vontade, auxiliado por Deus ou Seu Espírito.

Saulo, por outro lado, não se converteu por si mesmo; mais do que isso, ele foi convertido. Até o momento em que o Cristo vivo apareceu e o incapacitou, não vemos nenhum sinal de mudança no coração de Saulo. As passagens dos capítulos 8 e 9 não dizem nada sobre seu estado interior. Vemos bastante sobre seu estado exterior, vividamente descrito em termos que lembram um animal feroz e predador (At 8:3). O Espírito Santo estava trabalhando nele? Sem dúvida, mas para ver isso seria preciso fé maior do que a maioria tinha naquele tempo e do que muitos têm hoje.

A experiência de Saulo foi uma conversão que resultou em uma mudança dramática em sua trajetória. E, por mais irresistível que a experiência e o chamado tenham sido, e por mais absurda que seja esta ideia ao leitor, Saulo poderia ter rejeitado o chamado – pelo menos em teoria. Mas o que aconteceu ali? Em primeiro lugar, Saulo foi privado de suas faculdades, incluindo a visão. Deus tirou as coisas das quais Saulo dependia. Tudo que ele pôde fazer então foi sentar-se e ouvir. E, quando Deus finalmente obteve toda a atenção do perseguidor, Ele deu a Saulo uma revelação, que ele descreveu mais tarde, em diversos lugares, como uma visão do Cristo ressuscitado. Por mais incrédulos que os outros tenham sido, Paulo não hesitou em comparar essa experiência com a dos apóstolos, que haviam andado e falado pessoalmente com Jesus Cristo, durante Seu ministério terrestre.

Jesus Cristo deu o Seu melhor a Saulo, o homem que menos merecia. Para alguns, essa generosidade pode ter sido desconcertante ou até mesmo revoltante. No entanto, se alguém tem consciência de que é um pecador necessitado da graça, a conversão de Saulo demonstra que a graça é ilimitada e poderosa.

Pense nisto: Embora afirmemos crer na graça de Deus, algumas vezes podemos ser tentados a imaginá-Lo distribuindo Sua graça em colheradas medidas com rigor. Por que somos tentados a pensar dessa maneira? Chegamos até mesmo a desejar que as coisas sejam assim?

Aplicação  Use as seguintes perguntas para ajudar seus alunos a ver o que a conversão de Saulo de Tarso nos ensina sobre a graça de Deus e como devemos reagir a ela.

Perguntas para reflexão  Na realidade, pouca coisa é dita sobre o início da vida de Saulo e as influências que o moldaram. Em sua opinião, quais motivos ele teve para perseguir os cristãos?

Em Atos 9:5, a voz misteriosa se refere a Saulo como se ele estivesse dando pontapés contra os aguilhões. Como exatamente Deus estava “ferindo Saulo com o aguilhão”, mesmo quando ele parecia agir de maneira muito contrária à vontade de Deus?

Perguntas para aplicação

1. Todos nós conhecemos ou ouvimos falar sobre pessoas com histórias espetaculares de conversão, e talvez a nossa seja um pouco mais comum. De que maneira você percebeu a graça de Deus sendo manifestada em sua história, talvez no próprio fato de que você não teve que experimentar todas aquelas coisas?

2. Como você reage quando alguém de quem você desconfia, ou tem motivos para temê-lo ou rejeitá-lo, parece ter mudado para melhor?

Criatividade e atividades práticas  A história de Saulo é, acima de tudo, uma história de graça. Deus lhe mostrou a graça quando ele não a estava buscando nem sentia necessidade dela. E aqueles a quem Saulo perseguiu, ou poderia ter perseguido, aprenderam como uma pessoa pode ser verdadeiramente transformada por essa graça e como podem manifestar a graça em sua vida. A atividade seguinte tem o objetivo de incentivar os alunos a tornar a graça parte da sua vida e pensamentos diários.

Atividade  Todos enfrentamos situações ou pessoas difíceis. Como reagimos? Será que temos um ataque de fúria? Dizemos certas palavras e frases quando pensamos que ninguém pode ouvi-las? Será que nutrimos silenciosamente nossos ressentimentos?

Na próxima semana, medite sobre a graça ao se deparar com situações ou relacionamentos desafiadores. Considere isso como oportunidades para aprender e demonstrar graça. Quando os pensamentos habituais entrarem em sua mente e, talvez, saírem de sua boca, conscientemente pense – e diga – algo diferente. Proteja seus pensamentos com um verso bíblico relevante. Leve um relatório para a classe na próxima semana. Como a experiência com a graça mudou sua maneira de agir e sentir em situações como essas?

Paulo: apóstolo dos gentios 01 – (Comentários)

Introdução - Seguramente, Paulo é uma das figuras mais importantes do mundo antigo e, à exceção de Jesus, é o nome mais influente do cristianismo. É impossível calcular quantos artigos, livros e dissertações foram escritos ao longo da história sobre sua vida e ensinos. De fato, há tanto para se dizer sobre quem foi Paulo, que sua vida e obra têm sido abordadas sob múltiplos aspectos. Seus biógrafos o identificam como Paulo, o apóstolo; Paulo, o escritor de cartas; Paulo, o teólogo; Paulo, o missionário; Paulo, o pastor; Paulo, o apóstolo da graça. E, certamente, ele foi tudo isso. Porém, ele se tornou mais conhecido no mundo cristão simplesmente como o apóstolo dos gentios. Ele mesmo se apresentou dessa forma (Rm 11:13). Porém, ele tinha a consciência de que havia recebido de Deus esse ministério (At 9:15; 22:21; 26:17-18).

Perseguidor dos cristãos  A cidade em que Paulo nasceu (At 21:39) era a capital da província romana da Cilícia, na Ásia Menor (At 22:27) e um grande centro intelectual da época, a ponto de superar mesmo Atenas e Alexandria em alguns aspectos. Seus habitantes eram “apaixonados estudantes de filosofia, das artes e de todo tipo de conhecimento”. Em resumo, Tarso “era o que poderíamos chamar de cidade universitária”, que ostentava uma florescente escola de filosofia. Então, por que Paulo teria saído de Tarso e se estabelecido em Jerusalém? Possivelmente, a resposta para essa pergunta esteja em Filipenses 3:3-5, onde encontramos a mais abrangente de todas as declarações autobiográficas de Paulo.

A partir de Filipenses 3:3-5, é possível perceber quanto Paulo era zeloso em relação à religião de seus pais. Por essa razão, é possível conjecturar que ele teria se estabelecido em Jerusalém a fim de ter um conhecimento mais amplo das raízes de sua religião. Nessa passagem, é possível identificar sete traços biográficos. A partir deles, Paulo nos dá algumas informações de como era sua vida religiosa antes de se converter ao cristianismo. Os quatro primeiros traços retratam o orgulho de sua identidade judaica, enquanto os três últimos nos informam que ele foi um radical religioso antes de sua conversão. Como os demais fariseus, ele se orgulhava de seu conhecimento preciso das leis patriarcais e se vangloriava de sua adesão à lei. Portanto, quando Estevão colocou Jesus como o centro da fé judaica em vez de focalizar a lei e o templo, isso deve ter despertado o ódio de Paulo, levando-o a fazer da perseguição aos cristãos uma missão “divina”. Porém, Deus o estava preparando para uma missão muito maior.

A conversão de Saulo   Embora Paulo tenha sido um radical religioso antes de sua conversão, não se pode negar que ele era sincero em suas crenças. Entre outras razões, sua história está na Bíblia para que nós aprendamos com ela. Precisamos ser pacientes com as pessoas assim como Deus foi paciente com Paulo. Do ponto de vista humano, quem poderia crer que um dia o perseguidor se tornaria um perseguido? A conversão de Saulo foi fruto da ação insistente e sobrenatural de Deus.Deus viu em Saulo algo que nós jamais perceberíamos: uma sinceridade de propósito guardada em seu coração a sete chaves. O Espírito Santo insistiu em alcançar seu coração até romper suas defesas. Finalmente, Jesus veio pessoalmente para Se encontrar com ele na estrada para Damasco. “O que aconteceu ali, naquele dia, é um sinal de que a graça desconhece limites para alcançar um pecador. O orgulho, o ódio e o preconceito de Paulo e mesmo todas as forças do mal reunidas não seriam capazes de ofuscar o brilho do amor de Deus, estampado na face e nos olhos de Jesus Cristo. A conversão de Saulo é um exemplo vívido da imagem que precisamos ter de Deus, de Seu caráter e da maneira como Ele lida com o pecador: simplesmente, Deus não desiste”.

Saulo em Damasco  Paulo continuou sua viagem rumo a Damasco em obediência à ordem que Jesus lhe deu na visão: “Levanta-te e entra na cidade. Lá te será dito o que te convém fazer” (At 9:6). Nas circunstâncias em que estava, cego e em estado de choque, o natural seria que ele tivesse retornado a Jerusalém e buscasse ajuda médica. No entanto, o sinal de que ele havia se rendido a Cristo é que ele obedeceu à ordem que lhe foi dada. “A vida inteira Paulo estava acostumado a dizer aos outros o que deviam fazer. A primeira lição apreendida é que, a partir de agora, Alguém lhe diria o que fazer. Como disse William Barclay, ‘o cristão é um homem que cessou de fazer o que quer fazer e começou a fazer o que Cristo quer que ele faça’”.

É interessante a maneira pela qual Lucas descreveu a cegueira repentina de Paulo: “Abrindo os olhos, nada podia ver” (At 9:8). E mais interessante ainda é o fato de que, enquanto estava cego, Paulo teve uma visão de que recuperaria a vista (At 9:12). Que Paulo estava fisicamente cego é um fato, mas Lucas também quis destacar a cegueira espiritual anterior. Ao mesmo tempo, parece claro que Lucas enfatizou que foi a partir da cegueira física provocada pela visão na estrada de Damasco que, finalmente, Paulo pôde enxergar a vida de Cristo da maneira correta. De fato, ele nunca tinha “enxergado” tanto em toda a sua vida! Sua nova visão a respeito de Cristo foi tão clara que, após receber a visita de Ananias e recuperar a visão, “começou imediatamente a anunciar Jesus nas sinagogas, dizendo: “Jesus é o Filho de Deus” (At 9:20 NTLH).

O Evangelho vai aos gentios  A maneira com que Deus conduziu a pregação do evangelho para os gentios demonstra que Ele está no controle da história humana e do plano da salvação. Quanto a isso, dois pontos precisam ser destacados. Primeiro, Deus permitiu que uma terrível perseguição irrompesse sobre os cristãos a fim de que eles se espalhassem por diversas partes do império romano e, nesses lugares, anunciassem o evangelho (At 8:4). Segundo, o fato de que Antioquia era uma florescente cidade do mundo antigo, com um porto (At 13:4), e estrada que ligava Jerusalém a Roma, fez com que ela se tornasse uma espécie de quartel-general da igreja primitiva. Foi ali que os discípulos foram chamados de cristãos pela primeira vez (At 11:26).

Com uma boa liderança (At 13:1), a igreja de Antioquia já havia alcançado gentios em sua própria cidade (At 11:20-21). Porém, ao buscarem direção divina, o Espírito Santo os impressionou a enviar missionários para pregar em outras cidades (At 13:2-3). Essa é uma lição que cada congregação contemporânea precisa aprender. Primeiro, a igreja trabalhou com os que estavam dentro de sua geografia, para então trabalhar com aqueles que estavam fora dela. Além disso, a igreja de Antioquia também patrocinou as três viagens missionárias de Paulo”. Isso significa que ela era uma igreja completamente engajada com a obra missionária.

Conflitos dentro da igreja  O assunto da circuncisão foi, seguramente, a mais séria controvérsia que já havia ocorrido dentro da igreja até aquele momento. Por trás dessa questão, em certo sentido residia o pensamento exclusivista de que a salvação só era possível dentro do judaísmo. Assim, os proponentes dessa ideia acreditavam que os gentios deviam primeiro tornar-se judeus antes de tornar-se cristãos. Eles viam o cristianismo, portanto, apenas como uma espécie de extensão do judaísmo. Paulo se preocupou tanto com essa questão, que, em sua carta aos Gálatas, ele tratou o assunto duas vezes. E isso é um sinal de que as igrejas da Galácia enfrentaram problemas dessa natureza.

Em Gálatas 5:2-6, Paulo enfatizou que só existe uma forma de se obter justificação, que é por meio de Cristo e não da circuncisão (verso 3). Ele chegou a dizer que, aqueles que tentam se justificar na lei se desligaram de Cristo (verso 4). Nos versos 5 e 6, ele enfatizou o papel da fé. Em Gálatas 6:12-15, “ele resumiu efetivamente as questões de toda a carta ao contrapor a soberba daqueles que instigaram a circuncisão aos Gálatas à cruz de Cristo e à nova criação que começa quando uma pessoa se torna crente”.

Conclusão  Paulo tinha consciência clara de seu chamado. Na verdade, ele acreditava que havia sido separado por Deus para uma missão especial aos gentios mesmo antes de seu nascimento, como vemos em Gálatas 1:15-16. Nessa passagem, encontramos uma forte alusão a Isaías 49:1 e Jeremias 1:5. Ao fazer uso de Isaías 49, Paulo mostrou que estava seguindo o exemplo de Cristo, que veio ao mundo para ser luz aos gentios (Is 49:6) e, ao usar Jeremias 1:5, ele demonstrou sua consciência de que tinha sido chamado para ser um pregador às nações. No Novo Testamento, o texto de Isaías 49:6 é aplicado a Cristo (Lc 2:32), mas também aos Seus mensageiros (At 13:47). Isso demonstra que os mensageiros de Jesus devem continuar a obra que Ele iniciou. Foi exatamente isso que Paulo fez. Ao dizer que Deus o separou antes de nascer, Paulo também deu a entender que sua missão aos gentios estava fundamentada no chamado divino e não na vontade humana (Gl 1:1).

Autor: Pr. Nilton Aguiar  Editor: André Oliveira Santos: andre.oliveira@cpb.com.br

Revisora: Josiéli Nóbrega




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