sábado, 11 de fevereiro de 2017

01 - O Espírito e a Palavra



O Espírito e a Palavra -  01

Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra (2Tm 3:16, 17).

Leituras da semana: 2Pe 1:19-21; 1Co 2:9-13; Sl 119:160; Jo 17:17

Conforme o texto de 2 Timóteo 3:16, 17, a Bíblia descreve a si mesma como “inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra”. A Bíblia cumpre esse papel porque é a Palavra de Deus revelada à humanidade por meio da obra do Espírito Santo. Nela, o Espírito nos revela a vontade de Deus, mostrando-nos como ter uma vida agradável a Ele.

No entanto, a atuação do Santo Espírito não se manifestou somente no passado distante, no surgimento da Bíblia. Seu envolvimento com a Palavra ocorre até hoje, de muitas outras maneiras. Talvez a mais importante delas aconteça quando a lemos desejando compreendê-la corretamente. É então que precisamos do Espírito Santo. Esse mesmo Espírito divino desperta em nós o desejo de aceitar a Palavra de Deus e aplicar seus ensinos à nossa vida. Portanto, o Espírito atua com a Palavra escrita e por meio dela, a fim de nos transformar em novas criaturas em Cristo.

Nesta semana, traçaremos a obra do Espírito Santo em sua relação com as Escrituras.

DOMINGO                                    O Espírito Santo e a revelação 

Como Deus Se certifica de que Sua vontade seja fielmente comunicada aos seres humanos caídos? Ele faz isso por meio de duas principais ações relacionadas ao Espírito Santo: revelação e inspiração.

No processo da revelação, nós, seres humanos, dependemos do auxílio de Alguém para nos revelar coisas que, como criaturas caídas, não podemos conhecer por nós mesmos. Isto é, o Espírito Santo nos ensina verdades que precisam ser ditas a nós; caso contrário, nunca poderíamos conhecê-las por meios naturais.

Então foi revelado o mistério a Daniel numa visão de noite; então Daniel louvou o Deus do céu. Falou Daniel, dizendo: Seja bendito o nome de Deus de eternidade a eternidade, porque dele são a sabedoria e a força; E ele muda os tempos e as estações; ele remove os reis e estabelece os reis; ele dá sabedoria aos sábios e conhecimento aos entendidos. Ele revela o profundo e o escondido; conhece o que está em trevas, e com ele mora a luz. Ó Deus de meus pais, eu te dou graças e te louvo, porque me deste sabedoria e força; e agora me fizeste saber o que te pedimos, porque nos fizeste saber este assunto do rei. Daniel 2:19-23

A revelação é um processo no qual Deus torna conhecidas aos seres humanos Sua pessoa e Sua vontade. O conceito fundamental associado à palavra “revelação” é desvendar ou descobrir – a manifestação de algo que, de outra maneira, estaria oculto. Precisamos de tal revelação porque, como seres finitos e caídos, separados de Deus por causa do pecado, temos muitas limitações quanto ao que podemos aprender por conta própria. Dependemos de Deus para conhecer Sua vontade. Consequentemente, dependemos de Sua revelação, pois não somos Deus e temos apenas um conhecimento natural e muito limitado da Sua pessoa.

1.. Qual é a origem da mensagem profética da Bíblia? O que a origem divina da mensagem bíblica nos revela sobre a autoridade da Palavra de Deus?

E temos, mui firme, a palavra dos profetas, à qual bem fazeis em estar atentos, como a uma luz que alumia em lugar escuro, até que o dia amanheça, e a estrela da alva apareça em vossos corações. Sabendo primeiramente isto: que nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação. Porque a profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum, mas os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo. 2 Pedro 1:19-21

De acordo com o apóstolo Pedro, a mensagem profética do Antigo Testamento não é de origem humana. Os profetas foram movidos pelo Espírito Santo de tal forma que o conteúdo da mensagem deles veio de Deus. Esses homens não criaram a mensagem. Eles foram simplesmente os canais da revelação, não seus originadores. Pedro, de maneira muito intencional, destacou o Espírito como fonte de inspiração das profecias: embora escritas por homens, “jamais qualquer profecia foi dada por vontade humana” (2Pe 1:21). É essa origem divina que confere à Bíblia a autoridade máxima sobre nossa vida.

Deus usou seres humanos para proclamar Sua Palavra ao mundo. Como podemos ser usados pelo Espírito Santo para fazer algo semelhante hoje, não escrevendo as Escrituras, mas proclamando o que foi escrito?

SEGUNDA                                    O Espírito Santo e a inspiração 

Inspiração é o termo usado para descrever a influência de Deus, mediante a atuação do Espírito Santo, na comunicação de Sua mensagem por meio de instrumentos humanos. A atuação do Espírito no processo de inspiração é a razão de encontrarmos uma unidade fundamental em toda a Bíblia no que diz respeito à verdade. Como Espírito da Verdade Ele nos guia a toda a verdade.

João 14:17 -  O Espírito de verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê nem o conhece; mas vós o conheceis, porque habita convosco, e estará em vós.
João 15:26  -   Mas, quando vier o Consolador, que eu da parte do Pai vos hei de enviar, aquele Espírito de verdade, que procede do Pai, ele testificará de mim.
João 16:13  -   Mas, quando vier aquele Espírito de verdade, ele vos guiará em toda a verdade; porque não falará de si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido, e vos anunciará o que há de vir.

2. O que esses textos dizem sobre os escritores bíblicos e sobre o envolvimento de Deus na origem da Bíblia?
 
Porque a profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum, mas os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo. 2 Pedro 1:21

Eis lhes suscitarei um profeta do meio de seus irmãos, como tu, e porei as minhas palavras na sua boca, e ele lhes falará tudo o que eu lhe ordenar. Deuteronômio 18:18

Mas eu estou cheio do poder do Espírito do Senhor, e de juízo e de força, para anunciar a Jacó a sua transgressão e a Israel o seu pecado. Miquéias 3:8

Mas, como está escrito:As coisas que o olho não viu, e o ouvido não ouviu,e não subiram ao coração do homem,são as que Deus preparou para os que o amam. Mas Deus no-las revelou pelo seu Espírito; porque o Espírito penetra todas as coisas, ainda as profundezas de Deus. Porque, qual dos homens sabe as coisas do homem, senão o espírito do homem, que nele está? Assim também ninguém sabe as coisas de Deus, senão o Espírito de Deus. Mas nós não recebemos o espírito do mundo, mas o Espírito que provém de Deus, para que pudéssemos conhecer o que nos é dado gratuitamente por Deus. As quais também falamos, não com palavras que a sabedoria humana ensina, mas com as que o Espírito Santo ensina, comparando as coisas espirituais com as espirituais. Ora, o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente. Mas o que é espiritual discerne bem tudo, e ele de ninguém é discernido. 1 Coríntios 2:9-15

Ser “movido pelo Espírito Santo” (2Pe 1:21) é uma forte confirmação da obra do Espírito Santo na inspiração. Em 1 Coríntios 2:9-13, o apóstolo Paulo atribui ao Espírito Santo a revelação e a inspiração. Ele disse que, para eles, os apóstolos, Deus revelou as coisas ocultas que nenhum olho viu, as quais ele mencionou no versículo 9. Deus as revelou por meio do Espírito (1Co 2:10). Os apóstolos receberam esse “Espírito que vem de Deus, para que [conhecessem] o que por Deus [lhes] foi dado gratuitamente” (1Co 2:12). Em seguida, no versículo 13, Paulo passou a falar da obra da inspiração, de coisas “não ensinadas pela sabedoria humana, mas ensinadas pelo Espírito, conferindo coisas espirituais com espirituais”. Paulo não tinha dúvidas sobre a origem e a autoridade do que ele proclamava.

Embora muitas partes da Bíblia sejam o resultado da revelação sobrenatural e direta de Deus, nem tudo na Bíblia foi revelado dessa maneira. Algumas vezes, Deus usou escritores bíblicos na investigação cuidadosa e pessoal das coisas ou no uso que fizeram de documentos existentes, para, assim, revelar e comunicar Sua mensagem 

E o sol se deteve, e a lua parou, até que o povo se vingou de seus inimigos. Isto não está escrito no livro de Jasher? O sol, pois, se deteve no meio do céu, e não se apressou a pôr-se, quase um dia inteiro. Josué 10:13     

Tendo, pois, muitos empreendido pôr em ordem a narração dos fatos que entre nós se cumpriram, Segundo nos transmitiram os mesmos que os presenciaram desde oprincípio, e foram ministros da palavra, Pareceu-me também a mim conveniente descrevê-los a ti, ó excelente Teófilo, por sua ordem, havendo-me já informado minuciosamente de tudo desde o princípio; Para que conheças a certeza das coisas de que já estás informado. Lucas 1:1-4

Portanto, todas as partes da Bíblia são reveladas e inspiradas (2Tm 3:16). Essa é a razão para Paulo afirmar que tudo o que foi escrito, foi escrito para nossa instrução, para que pela “consolação das Escrituras, tenhamos esperança” (Rm 15:4). O mesmo Deus que fala e que criou a linguagem humana habilita pessoas escolhidas a comunicar, em palavras humanas e de maneira fidedigna, os pensamentos inspirados.

TERÇA                       O Espírito Santo e a veracidade das Escrituras 

Enquanto a revelação é o ato sobrenatural por meio do qual Deus revela a verdade a pessoas escolhidas, a inspiração é a atuação do Espírito Santo que protege a veracidade daquilo que os autores humanos escreveram, de modo que as palavras deles tenham a plena aprovação de Deus. O Senhor odeia o falso testemunho (Não dirás falso testemunho contra o teu próximo. Êxodo 20:16) e não pode mentir (Para que por duas coisas imutáveis, nas quais é impossível que Deus minta, tenhamos a firme consolação, nós, os que pomos o nosso refúgio em reter a esperança proposta; Hebreus 6:18). 

Ele é chamado de Deus da verdade
Nas tuas mãos encomendo o meu espírito; tu me redimiste, Senhor Deus da verdade. Salmos 31:5

Assim que aquele que se bendisser na terra, se bendirá no Deus da verdade; e aquele que jurar na terra, jurará pelo Deus da verdade; porque já estão esquecidas as angústias passadas, e estão escondidas dos meus olhos. Isaías 65:16

De maneira semelhante, o Espírito Santo é chamado de “Espírito da verdade”

O Espírito de verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê nem o conhece; mas vós o conheceis, porque habita convosco, e estará em vós. Jo 14:17

3. O que o Salmo 119:160 ensina sobre tudo o que Deus nos revela?
A tua palavra é a verdade desde o princípio, e cada um dos teus juízos dura para sempre. Salmos 119:160

4. O que Jesus disse sobre a Palavra de Deus?
 
Santifica-os na tua verdade; a tua palavra é a verdade. João 17:17

A Palavra de Deus é digna de confiança e de toda a aceitação. Nossa tarefa não é julgar as Escrituras; ao contrário, elas têm o direito de nos julgar e autoridade para isso. “Pois a Palavra de Deus é viva e eficaz, e mais afiada que qualquer espada de dois gumes; ela penetra ao ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas, e julga os pensamentos e intenções do coração” (Hb 4:12).

Embora a Bíblia tenha sido escrita por aqueles que viveram em épocas, culturas e lugares específicos, não devemos usar esse fato para enfraquecer ou rejeitar a mensagem que ela tem para nós. Uma vez que essa porta é aberta, a Bíblia se torna sujeita a seres humanos e à sua determinação do que é a verdade. O resultado é que muitas pessoas, embora afirmem crer na Bíblia, rejeitam coisas como a criação em seis dias, o dilúvio global, o nascimento virginal de Jesus, Sua ressurreição corporal e Sua segunda vinda literal. Essas são apenas algumas das muitas verdades bíblicas rejeitadas por pessoas falíveis que se atrevem a julgar as Escrituras. Esse é um caminho que jamais devemos tomar.

Por que é fundamental submeter nosso julgamento à Palavra de Deus e não o contrário?

QUARTA                            O Espírito Santo como professor 

Assim como o Espírito Santo foi essencial na comunicação da Palavra de Deus escrita, Ele também é fundamental em nos ajudar a compreendê-la corretamente. Os seres humanos são obscurecidos em sua compreensão da verdade; eles são, por natureza, alienados de Deus (Entenebrecidos no entendimento, separados da vida de Deus pela ignorância que há neles, pela dureza do seu coração; Efésios 4:18). Por isso, o mesmo Espírito que revelou e inspirou a Palavra de Deus é o único que nos habilita a compreendê-la. O problema não é que a Bíblia seja um livro obscuro. O problema é a nossa postura, maculada pelo pecado, para com o Deus que Se revela na Bíblia.

O Espírito Santo é um instrutor que deseja nos levar a uma compreensão mais profunda das Escrituras e a uma alegre apreciação da Palavra de Deus. Ele chama nossa atenção para as verdades bíblicas e nos dá novas percepções sobre essas verdades, para que a nossa vida seja caracterizada pela fidelidade e por uma amorosa obediência à vontade de Deus. No entanto, isso só pode acontecer se nos achegarmos à Bíblia com um coração humilde e disposto a aprender.

5. O que Paulo escreveu sobre a nossa necessidade de interpretar as coisas espirituais espiritualmente?
As quais também falamos, não com palavras que a sabedoria humana ensina, mas com as que o Espírito Santo ensina, comparando as coisas espirituais com as espirituais. Ora, o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente. Mas o que é espiritual discerne bem tudo, e ele de ninguém é discernido. 1Coríntios 2:13-15

Dependemos do Espírito Santo para compreender a Bíblia. Sem Ele, o significado espiritual das palavras bíblicas não é discernido, mas apenas o seu significado linguístico. Além disso, como seres humanos pecadores, muitas vezes nos opomos à verdade divina, não porque não a compreendamos, mas porque preferimos não segui-la. Sem o Espírito Santo não há nenhuma simpatia pela mensagem de Deus. Consequentemente, não há nenhuma esperança, confiança ou amor da nossa parte. Aquilo que o Espírito vivifica está em harmonia com a verdade já proclamada na Bíblia.

As muitas opiniões contraditórias que surgem com referência ao que a Bíblia ensina não têm sua origem em alguma obscuridade do livro em si mesmo, mas na cegueira e preconceito da parte dos intérpretes. Os homens deixam de lado as claras afirmações da Bíblia para seguirem seu próprio juízo pervertido” (Ellen G. White, Review and Herald, 27 de janeiro de 1885; Conselhos Sobre a Escola Sabatina, p. 23, 24).

QUINTA                              O Espírito Santo e a Palavra 

O Espírito Santo, que revelou e inspirou o conteúdo da Bíblia aos seres humanos, jamais nos conduzirá de maneira contrária à Palavra de Deus.

6. A que autoridade Jesus Se referiu? Como a Bíblia confirma que Jesus é o Messias?

Examinais as Escrituras, porque vós cuidais ter nelas a vida eterna, e são elas que de mim testificam; João 5:39 - Porque, se vós crêsseis em Moisés, creríeis em mim; porque de mim escreveu ele. Mas, se não credes nos seus escritos, como crereis nas minhas palavras? João 5:46,47

Quem crê em mim, como diz a Escritura, rios de água viva correrão do seu ventre. João 7:38

Algumas pessoas afirmam ter recebido do Espírito Santo instruções e “revelações” especiais que vão contra a clara mensagem da Bíblia. Para elas, um suposto “Espírito Santo” alcançou autoridade maior do que a Palavra de Deus. Sempre que a Bíblia, escrita e inspirada pelo Senhor, é invalidada e nos esquivamos de sua clara mensagem, caminhamos em terreno perigoso e não seguimos a orientação do verdadeiro Espírito de Deus. Somente a Bíblia é a nossa salvaguarda espiritual. Somente ela é o padrão confiável para todas as questões de fé e prática.

Por intermédio das Escrituras, o Espírito Santo fala à mente e grava a verdade no coração. Assim, Ele expõe o erro, expulsando-o da alma. É pelo Espírito da verdade, atuando pela Palavra de Deus, que Cristo submete a Si Seu povo escolhido” (Ellen G. White, O Desejado de Todas as Nações, p. 671).

Ellen G. White deixou bem claro que “o Espírito não foi dado, nem nunca o poderia ser, a fim de sobrepor-Se à Escritura; pois esta declara explicitamente ser ela mesma a norma pela qual todo ensino e experiência devem ser avaliados” (O Grande Conflito, p. 9).

O Espírito Santo nunca é dado para substituir a Palavra de Deus. Ao contrário, Ele atua em harmonia com a Bíblia e por meio dela a fim de nos atrair a Cristo, tornando-a assim o único padrão para a espiritualidade bíblica genuína. Podemos ter a certeza de que, quando alguém faz afirmações em contradição com a Palavra de Deus, não está falando a verdade. Não podemos julgar os motivos nem o coração. Podemos, entretanto, julgar a teologia, e o único padrão que temos para julgá-la é a Palavra de Deus.

Quais ensinamentos contrários à Palavra de Deus as pessoas tentam promover na igreja? Qual deve ser nossa resposta a esses erros e às pessoas que os promovem?

SEXTA                                 Estudo adicional 

Leia, de Ellen G. White, O Grande Conflito, “Nossa Única Salvaguarda”, p. 593-602. Leia também O Desejado de Todas as Nações, “Não se Turbe o Vosso Coração”, p. 662-680.

Pense em toda a verdade que conhecemos somente porque nos foi revelada na Bíblia. Pense, por exemplo, na criação. Que contraste entre o que a Palavra de Deus ensina sobre o modo pelo qual fomos criados e o que a humanidade ensina sobre nossa origem! – Isto é, através do processo hoje chamado de “síntese neodarwiniana”. Veja quanto a compreensão dos seres humanos está equivocada! Pense, também, na segunda vinda de Jesus e na ressurreição dos mortos no fim dos séculos. Essas são verdades que nunca poderíamos descobrir por conta própria. Elas têm que ser reveladas a nós e estão na Palavra de Deus, que foi inspirada pelo Espírito Santo. Na realidade, a verdade mais importante de todas, a de que Jesus Cristo morreu pelos nossos pecados e que somos salvos mediante a fé nEle e em Sua obra em nosso favor, é algo que nunca poderíamos ter descoberto por nós mesmos. Nós a conhecemos porque ela nos foi revelada. Pense em outras verdades que conhecemos somente porque nos foram reveladas pela Palavra de Deus. Tais verdades cruciais são encontradas apenas na Bíblia. O que esse fato nos revela sobre quanto a Palavra de Deus precisa fazer parte da nossa vida?

Perguntas para reflexão
1. Por que a Bíblia é um guia mais seguro em questões espirituais do que as impressões subjetivas? Quais são as consequências de não aceitarmos a Bíblia como o padrão pelo qual provamos todos os ensinamentos e até mesmo as nossas experiências espirituais?
2. Muitas vezes, a palavra “verdade” é utilizada em variados contextos. Na classe, fale sobre o conceito de “verdade”, o que é ou não verdade. Além disso, pergunte: O que significa dizer que algo é “verdadeiro”?
3. Como sua igreja deve agir se alguém afirmar que tem “nova luz”?
4. Qual é a diferença radical entre a compreensão mais recente da teoria da evolução e a mensagem da Bíblia? Por que devemos confiar na Bíblia acima de tudo?



O Espírito e a Palavra -  01 – (Estudo auxiliar)

TEXTO-CHAVE: 2 Pedro 1:19-21

Saber: Que a Bíblia é a revelação da vontade de Deus, inspirada pelo Espírito Santo. Ela é uma salvaguarda para a fé e uma norma pela qual devem ser provados todo ensino e toda prática.
Sentir: Ter uma postura de completa submissão à direção do Espírito Santo, por meio da Palavra de Deus, em vez de uma atitude orgulhosa e opinião independente.
Fazer: Permitir que o Espírito Santo molde seu pensamento por meio das Escrituras e da influência e poder do Espírito, levando-o a abandonar quaisquer comportamentos e ações que não estejam em harmonia com a Palavra inspirada de Deus.

ESBOÇO

I. Saber: O papel do Espírito Santo na revelação e na inspiração
A. Qual é a diferença entre revelação e inspiração?
B. Como podemos ter certeza de que a Bíblia é a fiel revelação de Deus, visto que o Espírito Santo atuou por intermédio de agentes humanos para escrevê-la?
C. Como a inspiração moldou o que Deus revelou por meio dos escritores da Bíblia?

II. Sentir: Ter uma postura de humildade diante da Bíblia
A. O Espírito Santo transforma nosso coração por meio do texto bíblico. A postura com a qual nos aproximamos da Bíblia pode prejudicar a possibilidade dessa mudança?
B. Por que é tão fácil substituir por opiniões humanas o que a Bíblia diz sobre as Escrituras?

III. Fazer: Experimentar o poder da Palavra
A. Por que é tão importante permitir que o Espírito Santo molde nossa compreensão da Palavra de Deus?
B. Quais passos Deus o está levando a dar em sua vida espiritual a fim de que você compreenda melhor a Bíblia e experimente seu poder transformador de maneira mais completa?

RESUMO: Quando decidimos ser submissos à direção do Espírito Santo e aceitamos humildemente os ensinamentos divinos da Bíblia, a graça de Deus transforma nossa vida e nos protege dos enganos do diabo.

Focalizando as Escrituras:  2 Timóteo 3:16, 17

Conceito-chave: A Bíblia é mais do que apenas uma coleção de livros inspirados. Ela é a fiel Palavra de Deus que transforma vidas. Quando a lemos em espírito de oração, com humildade e disposição para aprender, sob a influência do Espírito Santo, ela transforma nossa vida.

Neste trimestre, estudaremos sobre o ministério do Espírito Santo. Ele fala por meio da Palavra. Deus Se revela nas Escrituras. As verdades da Bíblia mostram quem é Deus e como Ele atua no ser humano. Sem a atuação do Espírito por intermédio da Palavra, estaríamos à mercê da nossa própria compreensão humana e equivocada da verdade. Enfatize que, sem a direção do Espírito Santo, conhecer a vontade de Deus e compreender Sua verdade seria uma questão de simples conjectura, o que nos deixaria confusos. A Palavra de Deus nos dá clareza e certeza na compreensão de Sua vontade.

Discussão Inicial
Imagine que a irmã Joana compareça à sua classe da Escola Sabatina pela primeira vez. No meio do estudo, ela levanta a mão e diz: “O Espírito Santo tem me impressionado e me mostrado que estamos vivendo no tempo do fim.”
Você responde: “Sim, irmã, certamente cremos nisso.”
Ela continua: “Não, eu quero dizer que estamos realmente muito perto do fim. Tenho sido impressionada com o fato de que a economia está prestes a entrar em colapso, que o povo de Deus não deve ter dívida alguma e que todos devemos nos mudar imediatamente para o campo a fim de cultivar nossos próprios alimentos. O fim pode vir em dois ou três anos. Ora, não estou marcando uma data para a vinda de Jesus, pois sei que a Bíblia diz que ‘ninguém sabe o dia nem a hora da Sua vinda’, mas deixem-me dizer: Recebi uma revelação de que será mais cedo do que imaginamos.”

Perguntas para discussão
1. À luz da lição desta semana, como você responderia à irmã Joana? Você poderia compartilhar ideias e explicações úteis a ela e à classe?
2. De que maneira a lição desta semana orienta sua resposta? Quais princípios da Palavra de Deus seriam úteis à irmã Joana?
3. Por que a Bíblia é uma salvaguarda contra especulações?

Compreensão
Há uma diferença entre “revelação” e “inspiração”. “Revelação” tem a ver com a exposição ou apresentação da verdade imutável de Deus. Sua verdade não depende do pensamento nem da ação dos seres humanos. A verdade é a verdade, quer o ser humano a aceite e acredite nela ou não. A verdade divina é eterna e universal. É eterna no sentido de que se aplica a todas as gerações em todas as épocas. É universal no sentido de que se aplica a todas as pessoas em todas as culturas. Como a lei da gravidade, a verdade do Senhor se aplica a todas as épocas e lugares. A cultura não molda nem altera a verdade. É a verdade que molda e altera a cultura.

A inspiração, por outro lado, é a atuação de Deus por meio do Espírito Santo a fim de comunicar Sua verdade por intermédio de agentes humanos. O mesmo Deus que revelou a verdade guiou os escritores bíblicos no processo de escrita da Bíblia. Ele não lhes ditou palavra por palavra, mas lhes dirigiu os pensamentos, inspirou-lhes a mente e guiou suas mãos. Eles escreveram em suas próprias palavras, com o vocabulário que lhes era disponível. Escreveram sob a inspiração do Espírito Santo, a fim de comunicar a infalível Palavra de Deus.

Comentário bíblico

O Espírito Santo: o instrutor de toda a verdade    (Recapitule João 16:13.)

Uma das funções do Espírito Santo é nos guiar à verdade. Ele não nos força a segui-la. Não nos impõe a verdade. Não nos obriga a obedecer. Ele nos guia a toda a verdade. O Espírito nos leva gentilmente a entender que o caminho de Deus, revelado em Sua Palavra, é o melhor. À medida que o Espírito Santo nos guia, descobrimos que as palavras de Jesus: “Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância” (Jo 10:10) são verdadeiras em nossa vida.

Que verdade é essa à qual o Espírito Santo nos guia? É a verdade sobre Deus. Cada doutrina bíblica revela um pouco da beleza da verdade sobre o Deus que nos ama e deseja que sejamos salvos em Seu reino. À luz do grande conflito entre o bem e o mal, o propósito da Palavra inspirada é revelar a verdade sobre o caráter amoroso e altruísta do Pai, em contraste com o caráter orgulhoso e egocêntrico de Satanás.

Há pelo menos mais dois aspectos da obra do Espírito Santo em nos guiar a toda a verdade. Em primeiro lugar, Ele nos leva a compreender as verdades doutrinárias da Bíblia a fim de nos proteger dos enganos do maligno, que distorcem o caráter de Deus. Jesus declarou: “Santifica-os na verdade; a Tua palavra é a verdade” (Jo 17:17). Ele afirmou também: “Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” (Jo 8:32). A verdade nos liberta dos equívocos teológicos que tanto atraem o mundo religioso.

Em segundo lugar, o Espírito Santo também nos guia à verdade sobre nós mesmos. Quando nos achegamos a Jesus, nossa culpa desaparece (1Jo 1:9; Rm 8: 1). Somos filhos e filhas de Deus, membros da Sua família (Jo 1:12; Ef 2:19). Apesar dos nossos sentimentos de indignidade, culpa ou vergonha, o Espírito nos guia à verdade da Bíblia: fomos criados por Deus, redimidos por Cristo e transformados pelo Espírito Santo. A fiel e infalível Palavra de Deus não mente. Somos Seus filhos e estaremos para sempre seguros em Seu amor e graça.

Perguntas para discussão
1. Em vez de nos forçar, uma das funções do Espírito Santo é nos guiar à verdade. O que significa “forçar” e “guiar”? Qual é a diferença entre essas palavras? O que essa distinção revela sobre a maneira pela qual o Espírito nos conduz?
2. A qual verdade o Espírito Santo nos guia?
3. Do que a verdade nos liberta? Como ela faz isso?

Aplicação
O mundo religioso está cheio de supostos “cristãos” com uma experiência cristã muito rasa. Discuta com seus alunos como fugir da armadilha da superficialidade religiosa. Por que tantos cristãos gastam tão pouco tempo contemplando a Palavra de Deus? Converse sobre isso com a classe.

Perguntas para reflexão
1. O que impede algumas pessoas de compreender as verdades da Palavra de Deus?
2. Por que até mesmo alguns membros da igreja não conseguem aceitar a alegria de ser filhos redimidos de Deus?
3. Como podemos compreender melhor a Bíblia e receber a bênção plena que Deus planejou para nós?

Pergunta para aplicação
Quais coisas nos impedem de ter uma experiência profunda e duradoura com Cristo por meio de Sua Palavra, inspirada pelo Espírito?

Criatividade e atividades práticas
O apóstolo Pedro resumiu bem as principais ideias da nossa lição: “Fostes regenerados não de semente corruptível, mas de incorruptível, mediante a palavra de Deus, a qual vive e é permanente” (1Pe 1:23). O foco da lição desta semana é duplo. Em primeiro lugar, a Palavra de Deus é fiel e revela Sua verdade. Em segundo lugar, ela transforma vidas. Ajude seus alunos a entender que a verdade não é uma questão de opinião pessoal. Ela se encontra na Bíblia. Oriente seus alunos também na compreensão de que, à medida que estudam a Palavra de Deus com um coração humilde e em espírito de oração, a vida deles será completamente transformada.

Atividade
1. Peça a cada aluno que compartilhe com a pessoa mais próxima a ideia principal que ele aprendeu na lição desta semana.
2. Peça que eles contem à classe a coisa mais importante que descobriram para sua vida espiritual nesta semana.

Planejando atividades: O que você pode fazer como resposta ao estudo desta lição?


O Espírito e a Palavra - 01  (Comentários do estudo)

2 Timóteo 3: 16, 17

A lição desta semana trata da Obra do Espírito Santo em sua relação com as Escrituras. Discute o papel do Espírito no que diz respeito à revelação e à inspiração. Fala da veracidade das Escrituras, da atuação do Espírito Santo como professor e Sua relação com a Palavra.

1.     O Espírito Santo, a revelação e a inspiração

 Significado de revelação
O termo “revelação” vem do latim revelare, que significa retirar o véu, descobrir o que estava oculto. Revelação, portanto, significa tornar conhecido o que é desconhecido, ou visível o que está oculto à vista de todos. Já a revelação bíblica representa o ato divino pelo qual Deus Se permite descobrir a Si mesmo, Seu caráter, Sua vontade e Seus planos, dando ao homem um conhecimento que ele não poderia conseguir por si mesmo.

Conforme destaca Daniel 2:22, o grande Revelador é Deus: “Ele revela o profundo e o escondido.” Deuteronômio 29:29 destaca que é Ele quem revela o que quer que seja relevado aos homens, e o que não está revelado a Ele pertence. Deus Se revela aos homens mostrando-Se não apenas o Revelador mas o objeto da revelação, como se observa em 1 Samuel 3:21: “Continuou o Senhor a aparecer em Siló, enquanto por Sua palavra o Senhor Se manifestava ali a Samuel”; e há grande variedade de qualidades divinas descritas como tendo sido reveladas (a Glória de Deus, Is 40:5; Rm 8:18; Sua justiça, Rm 1:17; Seu braço, Is 53:1; Sua ira, Rm 1:18). De igual maneira, as Escrituras Sagradas apontam Deus como Autor das verdades nelas reveladas, manifestando em seu conteúdo Sua vontade mediante a inspiração do Espírito Santo (O capítulo introdutório de O Grande Conflito é bastante esclarecedor a esse respeito. Ver em: Ellen G. White, O Grande Conflito. Tatuí-SP: Casa Publicadora Brasileira, 1985, p. 8-10).

Quanto aos instrumentos utilizados como meios de revelação, a teologia analisa duas subdivisões da revelação divina: a revelação geral e a revelação especial.

Revelação geral
A revelação geral é uma forma pela qual Deus desvenda parte de Seu conhecimento e vontade, compartilhando com a humanidade Sua luz divina. É chamada geral por ser direcionada a todos os homens, em todas as épocas e lugares. (Ver: Raoul Dederen, Revelação e inspiração: uma perspectiva adventista do sétimo dia. Brasília: Divisão Sul Americana da IASD, 1979, p. 19-20.)

A revelação geral se expressa através de três formas que possibilitam reconhecer Deus, mesmo sem apelar à fé:

1) Natureza: Deus Se revela por meio das obras da Criação, conforme destacou o apóstolo Paulo em Romanos 1:20.
2) Consciência: Pelo senso moral ou consciência, Deus Se revela ao ser humano. As Escrituras Sagradas afirmam que a revelação divina se faz presente por meio da consciência humana a todos os homens: “Quando, pois, os gentios, que não têm lei, procedem, por natureza, de conformidade com a lei, não tendo lei, servem eles de lei para si mesmos. Estes mostram a norma da lei gravada no seu coração, testemunhando-lhes também a consciência e os seus pensamentos, mutuamente acusando-se ou defendendo-se” (Rm 2:14, 15). Atos 17:23 mostra que muitos honram a Deus sem O conhecerem.
3) História: Na história da humanidade, a revelação geral destaca a presença divina, em especial na época do cativeiro do povo de Israel e Judá. Ezequiel 39:28 enfatiza a revelação divina dos acontecimentos, assim como a soberania de Deus entre Seu povo e os demais povos da Terra: “Saberão que Eu sou o Senhor, seu Deus, quando virem que Eu os fiz ir para o cativeiro entre as nações, e os tornei a ajuntar para voltarem à sua terra, e que lá não deixarei a nenhum deles.”

Assim, a presença de Deus é reconhecida no curso da História, revelando-Se aos homens por meio de Sua participação nos acontecimentos que fizeram a história da humanidade. Mediante Suas intervenções, Deus Se dirige pessoalmente à humanidade, libertando Seu povo, ou mudando o curso da História, para Se fazer conhecer e mostrar interesse por Seu povo.

Revelação especial
A revelação especial, sobrenatural, transcende a revelação natural e “consiste principalmente em Deus manifestar Sua pessoa e Sua vontade pela comunicação direta com a humanidade”.

Essa comunicação direta foi necessária para restaurar o relacionamento rompido entre Deus e o ser humano por ocasião do pecado, para trazer o Universo de volta à harmonia com Deus. As Escrituras Sagradas e o próprio Cristo foram os principais meios pelos quais a revelação especial ocorreu. Mas Deus usou muitas formas de revelação, como: falando diretamente (1Sm 3:4; Lc 3:21-22; Mt 17:5; Jo 12:28); por meio de anjos (Mt 1:20-21; At 10:3-6); de Urim e Tumim (Êx 28:30; 1Sm 23:6-13); dos profetas (Am 3:7); de sonhos (Gn 20:3; 41:7; Dn 2:1, 28); visões (Is 2:1; Ez 1:1; Dn 10:7); teofanias (Êx 3:1-5), entre outras (Hb 1:1; Ap 1:1-3; Êx 31:18).

Significado de inspiração
A inspiração é um ato divino através do qual o Espírito Santo capacitou homens a escrever as revelações a eles comunicadas por Deus, de forma fidedigna.

Analisando o termo “inspiração”, percebe-se que, embora seja aceito como conceito bíblico, essa palavra não existe nos escritos originais. Em 2 Timóteo 3:16, ao afirmar que “Toda a Escritura divinamente inspirada […]” Paulo se referiu ao termo grego theopneustos, que significa, literalmente soprado por Deus”. Ou seja, a ação de Deus, o processo pelo qual o Espírito Santo trabalha nos seres humanos escolhidos por Deus, não representa exatamente uma inspiração, mas um sopro de Deus sobre o homem, no sentido de movê-lo para que proclame as mensagens recebidas. Nessa perspectiva, a revelação vem ao homem por meio da união da mente e da vontade divina com a humana. Inspiração é, assim, o trabalho do Espírito Santo na mente do profeta. Confirmando esse conceito, em 2 Pedro 1:21, o apóstolo afirmou que “homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo”. Percebe-se que é o Espírito Santo quem toma a iniciativa, quem chama e quem concede as revelações, movendo ou inspirando a pessoa escolhida (Je 36:1, 2; Lc 1:1-4). Assim sendo, os profetas e apóstolos não foram meros copistas do que ouviam ou viam, mas, enquanto eram movidos pelo Espírito, escreviam, envolvendo-se para realizar da melhor forma possível a tarefa deles requerida.

A Escritura Sagrada aponta Deus como seu Autor; no entanto, foi escrita por mãos humanas (…). As verdades reveladas são dadas por inspiração de Deus; acham-se, contudo, expressas em palavras de homens” (O Grande Conflito, p. 8).

Quanto das Escrituras é inspirado? Não existe na Bíblia nenhuma evidência de que alguns trechos foram mais ou menos inspirados que outros. Toda a Escritura foi inspirada por Deus (2Tm 3:16). Mesmo nos livros em que os autores faziam maior uso de suas expressões, como nos salmos e livros poéticos, por exemplo, a inspiração divina se sobrepõe à humana. A Bíblia é um livro divino-humano escrito por pessoas escolhidas que registraram o que Deus lhes mandou.

2.     O Espírito Santo e a Palavra 
Cremos que o Espírito Santo usou pessoas, os autores, não como meros secretários. Ele usou mentes humanas e guiou os pensamentos de acordo com os propósitos divinos.

Não são as palavras da Bíblia que são inspiradas, mas os homens é que o foram. A inspiração não atua nas palavras do homem nem em suas expressões, mas no próprio homem que, sob a influência do Espírito Santo, é imbuído de pensamentos” (Mensagens Escolhidas, v. 1, p. 21).

Daí observamos na Bíblia estilos, linguagem, figuras diferentes, entretanto há harmonia e sintonia, tanto nos profetas como nos poetas e apóstolos. Uma das maravilhas da Bíblia é que ela não se contradiz, mas se completa. Foram cerca de 40 diferentes autores. Em épocas diferentes, culturas diferentes, situações diferentes, mas todos escrevendo sob o sopro (inspiração) do Espírito Santo.

Entretanto, as atuações do Espírito estão sempre em harmonia com a Palavra escrita. Como sucede no mundo natural, assim também se dá no espiritual. A vida natural é preservada a todo momento pelo divino poder; mas não é sustentada por um milagre direto, porém mediante o uso de bênçãos colocadas ao nosso alcance. De igual forma a vida espiritual é sustentada pelo uso dos meios supridos pela Providência” (Atos dos Apóstolos, p. 284).

Conclusão
Um jovem muito desencaminhado fugiu de casa. Durante muitos anos seu paradeiro foi desconhecido. Certo dia, ele soube que o pai havia falecido e voltou para casa, onde foi bondosamente recebido pela mãe. Chegou o dia da leitura do testamento do pai. Toda a família estava reunida. O advogado começou a ler o documento. Para grande surpresa de todos os parentes, o testamento se referira pormenorizadamente aos descaminhos do filho. Ele ergueu-se irado e saiu, deixando a família sem notícia por três anos. Afinal, descobriam seu paradeiro. Informaram-no de que o testamento, depois de se referir ao seu mau procedimento, legava-lhe uma fortuna em dinheiro. Imagine de quanta tristeza ele teria se poupado se tivesse ficado para ouvir até ao fim a leitura do testamento! Assim, muita gente lê a Bíblia apenas pela metade, e dela se volve descontente.

Devemos tomar um versículo, e concentrar a mente na tarefa de averiguar o pensamento nele posto por Deus para nós. Convém que nos demoremos sobre esse pensamento até que nos apoderemos dele, e saibamoso que diz o Senhor” (O Desejado de Todas as Nações, p. 390).

“Conta-se que, certa vez, um dos paroquianos de Moody foi ter com ele, lamentando-se de não poder compreender certos passos da Escritura.”
– O senhor gosta de peixe?, perguntou-lhe o grande orador sacro.
– Gosto, como não!
– E que faz com as espinhas?
– Ora, separo-as com cuidado, deixando-as a um lado no prato.
– Pois faça o mesmo com a Palavra de Deus. Alimente-se de suas verdades claras, compreensíveis, e deixe de lado aquilo que não puder compreender. Você encontrará nela alimento em abundância, amigo!”


Autor do comentário: Érico Tadeu Xavier possui graduação em Teologia Pastoral (1991) e mestrado (2000) pelo Seminario Adventista Latino-Americano de Teologia; Mestrado em Ciências da Religião pela Universidad Evangélica de las Américas, Costa Rica, e reconhecido pela EST – Escola Superior de Teologia (2009); e Doutorado em Ministério pela Faculdade Teológica Sul Americana (2004); Doutorado (PhD) pelo South African Theological Seminary (2011), reconhecido pela PUC, Rio, em 2012. Pós-doutorado (2014) na área de teologia sistemática pela FAJE – Faculdade de Filosofia e Teologia Jesuíta, de Belo Horizonte. Foi professor de teologia na Bolívia e na Bahia, no SALT-IAENE. Atualmente é professor visitante no Mestrado em Teologia do SALT-UNASP, e atua como pastor no Rio Grande do Sul. Autor de 11 livros e mais de 40 artigos, em revistas da denominação e em revistas acadêmicas de seminários adventistas, evangélicos e católicos. É casado com a psicopedagoga Noemi, com que tem dois filhos, Aline e Joezer, que são casados e vivem no Paraná.


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